quinta-feira, 9 de junho de 2011

Segundo Marx

Segundo Jonh Eigerl, lingüista alemã, o capitalismo pode ser definido como uma fábrica de confinamento: especializado na alienação de seu consumidor/explorado, o sistema cria uma zona de conforto de difícil percepção ou livramento. Não é difícil entender o choque com que é recebida a notícia de que já são dezesseis os suicídios cometidos por empregados da empresa taiwanesa Foxconn. Responsável pela fabricação de produtos eletrônicos na China, a empresa é acusada de manter seus trabalhadores sobre um regime exaustivo mental e fisicamente. Embora o caso dos suicídios seja uma maneira extremada de exemplificar os poderes destrutivos de um sistema cuja maior prioridade é a extensão de lucro, no século XIX, Karl Marx já previa os efeitos desastrosos do capitalismo.


Funcionárias atuantes na linha de produção da empresa taiwanesa Foxconn

Sua prerrogativa máxima era de que, por ser um sistema autodestrutivo, o capitalismo iria se findar. As causas poderiam ser a superprodução, conseqüência natural da concorrência e da diminuição do mercado; a rebelião e manifestação dos explorados pelo sistema e a conscientização dos trabalhadores explorados que, livres de seus grilhões e cientes de sua força vital para a continuidade do sistema, optaram por deixar de trabalhar. É interessante notar que, para a obtenção de lucro, há uma espécie, senão aniquilação, ao menos mascaramento, de qualquer noção de humanidade. Os braços que ergueram e possibilitaram a Revolução Industrial foram, sem dúvida, braços escravos. Não havia uma noção de Lei Trabalhista: os empregados labutavam por todo o dia, as crianças faziam parte do processo construtivo e não havia qualquer norma de segurança ou de higienização.


"O operário não tem pátria", segundo Karl Marx (foto)

A história de exploração humana pelo próprio homem é antiguíssima e caminha junto às noções de riqueza e propriedade. No antigo império egípcio, centenas de homens eram escravizados e obrigados a construir odes a faraós, que justificavam seu poder com base em uma vontade teológica. Nos feudos da Europa medieval, os senhores abusavam de sua propriedade para angariar trabalhadores que, em troca de pouquíssima terra e bens, faziam-na prosperar. Anos e anos de exploração voluntária e involuntária foram a base para o mercantilismo, que possuía na própria escravatura um lucro e um negócio do qual dependiam todas suas outras transações econômicas.

Contudo, o capitalismo não se autodestrói devido à intervenção do Estado. São cobrados impostos para o acúmulo de capital do poder estatal, para este garantir o bem estar social, ou seja, o mínimo de políticas possíveis para a longevidade da população, e a regulação das empresas capitalistas. O Estado concede a garantia de lucro dos burgueses ao mesmo tempo em que reduz a jornada de trabalho. Portanto, o capitalismo assegura o lucro e garante a alienação, uma vez que os trabalhadores acreditam que houve uma melhoria de vida, um progresso, enquanto a exploração continua, mas de uma forma mascarada. Hoje, essa alienação é acompanhada pela mídia. A televisão, controlada pela indústria cultural, é vista durante o tempo de lazer do trabalhador, abolindo seu tempo de refletir.

Adestrados, os trabalhadores se afastam da realidade e perdem a consciência da exploração. O homem perde sua humanidade em prol do capital, que termina por explorar a todos. Burguês ou trabalhador, todos se tornam escravos do capitalismo, o primeiro porque faz tudo pelo lucro e o segundo porque tem a vida central baseada no trabalho. A única alternativa é a reflexão, para promover a desalienação e o fim do capitalismo, que corrompe a humanidade por tanto tempo.

4 comentários:

  1. O exemplo da multinacional e seus empregados já deixa claro o tema a ser tratado, logo de inicio a exploração do homem pelo homem é colocada em pauta.
    O homem cada vez mais é explorado, mas da mesma forma é conformado, acreditando ser normal sua situação e sua forma de trabalhar. Essa realidade esta diretamente ligada às teses previstas por Marx, assim, junto às análises sobre o capitalismo, o leitor pode refletir e se direcionar para outros horizontes, tendo um entendimento onde é possível a fusão da teoria e da prática. Além disso, texto possui fácil compreensão e sua dinâmica o faz ser objetivo. Adorei parabéns!

    nome:FERNANDA MENEGUELLI CAPELO
    RA00095393
    turma:JORNALISMO NOTURNO

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  2. Os argumentos apresentados, somados aos exemplos atuais, tornaram a compreensão do texto fácil e ágil. Deixando claro que Marx era totalmente contra o capitalismo, mostrando que tais ideais acabam deixando os princípios humanos de lado, para se voltar apenas aos interesses das empresas privadas. O fato de a indústria cultural ter aparecido no texto foi muito pertinente por estar diretamente ligado ao tema proposto. A única coisa que Marx não poderia imaginar é que a destruição do capitalismo está muito longe de se concretizar, para ele o sistema um dia entraria em colapso, estava certo, porém não poderia contar a intervenção do estado para salvar o mesmo, como aconteceu na última crise financeira norte-americana. Enfim, gostei muito, parabéns pelo texto, só enriqueceu o blog de vocês.

    Fellipe Madureira de Aquino RA00071916

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  3. Meninas, O pensamento Marxista em relação ao capitalismo e sua desaprovação ao sistema de governo que prioriza valores econômicos em relação à valores sociais não é novidade. Acredito que ao passearem por exemplos como o das grandes indústrias e do corporativismo, que trabalham para perpetuar o atual regime em que vivemos, e junto a estes trabalhar o conceito da industria cultural e a perca constante do valor informativo vocês constroem uma análise rica sobre os pontos que Marx discute em suas obras.
    O breve histórico de exploração que vai desde as pirâmides até o período atual me remete bastante á servidão voluntária de La Boetie, e colabora para construir o perfil apático da sociedade frente ao domínio do capital, apatia esta que é a principal responsável pela manutenção do atual regime político que como vocês observam, escraviza à todos e restringe a nossa capacidade cognitiva crítica com enorme eficácia.
    Bom texto.

    Anali Dupré RA00095360

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  4. Gostei do exemplo da Focxconn, mostra exatamente a problemática do capitalismo. Enquanto os norte-americanos vivem alienados e escravos do consumo, vivendo, na realidade, em uma "zona de conforto", os taiwaneses sofrem explorações, com jornadas de trabalho desumanas.
    Na verdade isso é prejudicial para ambos os lados. Nos EUA a população tem um nível de desemprego altíssimo, o consumo desacelera e dívidas tornam-se impagáveis. Do lado dos taiwaneses o trabalho, ainda que desumano, é uma forma de sustento para milhares de famílias e quando o sistema central quebra, a fome e a miséria batem à porta.

    Eduardo A. Ramos
    RA: 00101135

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