
Funcionárias atuantes na linha de produção da empresa taiwanesa Foxconn
Sua prerrogativa máxima era de que, por ser um sistema autodestrutivo, o capitalismo iria se findar. As causas poderiam ser a superprodução, conseqüência natural da concorrência e da diminuição do mercado; a rebelião e manifestação dos explorados pelo sistema e a conscientização dos trabalhadores explorados que, livres de seus grilhões e cientes de sua força vital para a continuidade do sistema, optaram por deixar de trabalhar. É interessante notar que, para a obtenção de lucro, há uma espécie, senão aniquilação, ao menos mascaramento, de qualquer noção de humanidade. Os braços que ergueram e possibilitaram a Revolução Industrial foram, sem dúvida, braços escravos. Não havia uma noção de Lei Trabalhista: os empregados labutavam por todo o dia, as crianças faziam parte do processo construtivo e não havia qualquer norma de segurança ou de higienização.

"O operário não tem pátria", segundo Karl Marx (foto)
A história de exploração humana pelo próprio homem é antiguíssima e caminha junto às noções de riqueza e propriedade. No antigo império egípcio, centenas de homens eram escravizados e obrigados a construir odes a faraós, que justificavam seu poder com base em uma vontade teológica. Nos feudos da Europa medieval, os senhores abusavam de sua propriedade para angariar trabalhadores que, em troca de pouquíssima terra e bens, faziam-na prosperar. Anos e anos de exploração voluntária e involuntária foram a base para o mercantilismo, que possuía na própria escravatura um lucro e um negócio do qual dependiam todas suas outras transações econômicas.
Contudo, o capitalismo não se autodestrói devido à intervenção do Estado. São cobrados impostos para o acúmulo de capital do poder estatal, para este garantir o bem estar social, ou seja, o mínimo de políticas possíveis para a longevidade da população, e a regulação das empresas capitalistas. O Estado concede a garantia de lucro dos burgueses ao mesmo tempo em que reduz a jornada de trabalho. Portanto, o capitalismo assegura o lucro e garante a alienação, uma vez que os trabalhadores acreditam que houve uma melhoria de vida, um progresso, enquanto a exploração continua, mas de uma forma mascarada. Hoje, essa alienação é acompanhada pela mídia. A televisão, controlada pela indústria cultural, é vista durante o tempo de lazer do trabalhador, abolindo seu tempo de refletir.
Adestrados, os trabalhadores se afastam da realidade e perdem a consciência da exploração. O homem perde sua humanidade em prol do capital, que termina por explorar a todos. Burguês ou trabalhador, todos se tornam escravos do capitalismo, o primeiro porque faz tudo pelo lucro e o segundo porque tem a vida central baseada no trabalho. A única alternativa é a reflexão, para promover a desalienação e o fim do capitalismo, que corrompe a humanidade por tanto tempo.
O exemplo da multinacional e seus empregados já deixa claro o tema a ser tratado, logo de inicio a exploração do homem pelo homem é colocada em pauta.
ResponderExcluirO homem cada vez mais é explorado, mas da mesma forma é conformado, acreditando ser normal sua situação e sua forma de trabalhar. Essa realidade esta diretamente ligada às teses previstas por Marx, assim, junto às análises sobre o capitalismo, o leitor pode refletir e se direcionar para outros horizontes, tendo um entendimento onde é possível a fusão da teoria e da prática. Além disso, texto possui fácil compreensão e sua dinâmica o faz ser objetivo. Adorei parabéns!
nome:FERNANDA MENEGUELLI CAPELO
RA00095393
turma:JORNALISMO NOTURNO
Os argumentos apresentados, somados aos exemplos atuais, tornaram a compreensão do texto fácil e ágil. Deixando claro que Marx era totalmente contra o capitalismo, mostrando que tais ideais acabam deixando os princípios humanos de lado, para se voltar apenas aos interesses das empresas privadas. O fato de a indústria cultural ter aparecido no texto foi muito pertinente por estar diretamente ligado ao tema proposto. A única coisa que Marx não poderia imaginar é que a destruição do capitalismo está muito longe de se concretizar, para ele o sistema um dia entraria em colapso, estava certo, porém não poderia contar a intervenção do estado para salvar o mesmo, como aconteceu na última crise financeira norte-americana. Enfim, gostei muito, parabéns pelo texto, só enriqueceu o blog de vocês.
ResponderExcluirFellipe Madureira de Aquino RA00071916
Meninas, O pensamento Marxista em relação ao capitalismo e sua desaprovação ao sistema de governo que prioriza valores econômicos em relação à valores sociais não é novidade. Acredito que ao passearem por exemplos como o das grandes indústrias e do corporativismo, que trabalham para perpetuar o atual regime em que vivemos, e junto a estes trabalhar o conceito da industria cultural e a perca constante do valor informativo vocês constroem uma análise rica sobre os pontos que Marx discute em suas obras.
ResponderExcluirO breve histórico de exploração que vai desde as pirâmides até o período atual me remete bastante á servidão voluntária de La Boetie, e colabora para construir o perfil apático da sociedade frente ao domínio do capital, apatia esta que é a principal responsável pela manutenção do atual regime político que como vocês observam, escraviza à todos e restringe a nossa capacidade cognitiva crítica com enorme eficácia.
Bom texto.
Anali Dupré RA00095360
Gostei do exemplo da Focxconn, mostra exatamente a problemática do capitalismo. Enquanto os norte-americanos vivem alienados e escravos do consumo, vivendo, na realidade, em uma "zona de conforto", os taiwaneses sofrem explorações, com jornadas de trabalho desumanas.
ResponderExcluirNa verdade isso é prejudicial para ambos os lados. Nos EUA a população tem um nível de desemprego altíssimo, o consumo desacelera e dívidas tornam-se impagáveis. Do lado dos taiwaneses o trabalho, ainda que desumano, é uma forma de sustento para milhares de famílias e quando o sistema central quebra, a fome e a miséria batem à porta.
Eduardo A. Ramos
RA: 00101135