O capitalismo tem exigido a mobilidade crescente da força de trabalho, e migrações continuas através de fronteiras nacionais. A demanda política exige que o fato da produção capitalista seja reconhecido juridicamente e que todos os trabalhadores recebam plenos direitos de cidadania. Todos deveriam ter todos os direitos da cidadania no país onde vivem e trabalham. Contudo a cidadania global muitas vezes não é alcançada. No Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é um exemplo dos excluídos da sociedade de direito.
Os trabalhadores rurais sem terras estavam desprovidos do seu direito de produzir alimentos. Expulsos por um projeto autoritário para o campo brasileiro, capitaneado pela ditadura militar, que então cerceava direitos e liberdades de toda a sociedade, e que anunciava a “modernização” do campo quando, na verdade, estimulava o uso massivo de agrotóxicos e a mecanização, baseados em fartos (e exclusivos ao latifúndio) créditos rurais; ao mesmo tempo em que ampliavam o controle da agricultura nas mãos de grandes conglomerados agroindustriais.Ao perceberem a injustiça, os trabalhadores organizaram uam multidão na luta para a reapropriação do controle sobre o espaço, na luta para a Reforma Agrária. O MST tornou-se um sujeito político, singular e insurgente contra o sistema capitalista. Essa multidão criou vários espaços pelo país onde vivem de forma sustentável e não dependente do Império. Os militantes pró-MST compreendem que a Reforma Agrária não é uma luta por benefícios apenas para os camponeses, mas uma forma de melhorar a vida dos que vivem nas cidades, com a redução do inchaço urbano e, principalmente, com a produção de alimentos sadios e acessíveis aos trabalhadores.
Fora do Brasil, ocorrem outras situações em que multidões surgem contra o poder imperial. A Primavera Árabe é um exemplo. Em diversos países do Oriente Médio e do Norte da África, milhares de pessoas sofrem com a ditadura do governante, dando início a uma onda revolucionária de manifestações e protestos. Os protestos têm compartilhado técnicas de resistência civil em campanhas sustentadas envolvendo greves, manifestações, passeatas e comícios, bem como o uso das redes sociais para organizar, comunicar e sensibilizar a população e a comunidade internacional em face às tentativas de repressão e censura da internet por partes dos Estados.

Existem fortes tentativas de repressão aos movimentos da multidão. Contudo também prevalece uma resistência para que o Império não consiga controlar os insurgentes. Apesar da disposição de poderes militares e policiais para impor a ordem entre “os turbulentos e rebeldes”, a ação da multidão vai se tornando cada vez mais politizada, de forma que se cria uma conscientização global contra as operações repressivas do Império.
Mas são nestes piores momentos de repressão que os trabalhadores rurais, os participantes da Primavera Árabe, ou qualquer outro tipo de multidão conhecem o valor da solidariedade e da cooperação expressas de forma organizada por meio das ações de sindicatos, partidos, anônimos, nos gestos de milhares de apoiadores e simpatizantes da causa. Todas as multidões lutam pela cidadania global. O potencial de revolução cresce na medida em que as opressões são percebidas, basta os subjugados e explorados se unirem.
Stephanie Bevilaqua Monteiro – RA00101134
ResponderExcluirCaros animais (com todo o respeito, claro!),
Li o texto de você o qual me remeteu diretamente ao texto que lemos sobre Império de Michael Hardt e Antonio Negri. Gostei bastante dos exemplos citados, como o MST e a Primavera Árabe, apesar de serem exemplos densos e que remetem explicações densas. Mas, como o blog é direcionado a um fim acadêmico de uma turma de jornalismo, dispensamos grandes explicações.
O estudo da biopolítica que vimos no post, mostra as relações entre a vida humana e a vida política diante das concepções de como é composto o império. Já o texto postado no blog, mostra as “explosões” do capitalismo sob uma visão marxista. O próprio Marx já dizia que as revoluções fracassam por que não há consciência social, e veja essa afirmação como essência do texto postado no blog. As lutas do MST e as revoluções da Primavera Árabe são consequência de falta consciência social e do ciclo previsto por Marx. Os dois casos são exemplos de ignorância da população uma vez que estão alienadas a ponto de não enxergarem os verdadeiros problemas do império.
“Não mudamos o mundo porque não sabemos como funciona. Quando soubermos, a mudança é inevitável.” Essa crítica de Marx nos leva a pensar o quão fundamental é esse raciocínio a fim de estabelecer-se uma sociedade digna e justa. O que as ocupações do MST e a derrubada do poder na Primavera Árabe são exemplos daqueles que lutam em busca dessa mudança, que é sim possível, afinal, a resistência é, de fato, anterior ao poder.
nosso texto no virtudesobra fala também sobra essa visão que eu demonstrei no meu último comentário. Vale a pena ler, pois mostra, não de forma tão contextualizada como a de vocês (que eu achei ótimo), mas de um lado mais técnico.
ResponderExcluiro link:
http://virtudesobra.blogspot.com/2011/11/crise-da-soberania-no-imperio.html#comment-form
adorei o texto, me explicou de forma simples tudo aquilo que eu não consegui entender sobre o texto do império. Com relação aos exemplos que vocês usaram, como o MST e a Primavera Árabe também muito bem colocados. Parabéns. Nathália Borges
ResponderExcluirCaros amigos do blog "O Animal Social",
ResponderExcluirAcredito que tenham abordado muito bem a questão do "Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra". Tivemos a oportunidade de visitar um assentamento nas aulas de "Introdução ao Jornalismo II", e verificarmos a realidade das pessoas que vivem EM COMUNIDADE lá. É neste ponto em que eu acredito ter sido necessário a abordagem do papel que a imprensa assume perante a resistência da multidão, pois, conforme sempre fomos ensinados, os Sem Terra são pessoas que não querem trabalhar e invadem as propriedade privadas alheias. O que não é verdade, mas a manipulação que a imprensa faz dos fatos nos faz acreditar que sim!
A Stephanie trouxe uma frase de Marx que na minha opinião é sen-sa-cio-nal e representa muito bem o que eu quero dizer:
“Não mudamos o mundo porque não sabemos como funciona. Quando soubermos, a mudança é inevitável”.
Se nos ensinaram da maneira errada, nos transmitiram uma impressão negativa e incorreta do papel político que a multidão assume na sociedade, como podemos aderir a causa?
Leonardo Romano (RA00097447)