Um claro exemplo disso é a Marcha pela Liberdade, manifestação ocorrida após a forte repressão policial exercida após a Marcha da Maconha. O direito à liberdade de expressão foi boicotado de fato, mostrando o evidente poder instalado nas mãos das autoridades brasileiras. A intenção inicial dos manifestantes era trazer o debate sobre legalização e descriminalização da maconha, mas tiveram a marcha proibida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) um dia antes do evento. Os organizadores não se deixaram abater e mudaram o nome para Marcha pela Liberdade, que foi violentamente reprimida pela policia militar, com o uso de spray de pimenta, gás lacrimogêneo e cacetetes.

Um caso similar ocorreu no Chile, onde centenas de jovens marcharam nas ruas de Santiago como parte de um movimento para exigir melhoras na educação pública. Os estudantes foram reprimidos pela força policial antes mesmo de começarem o protesto: foram sujeitados a agressões físicas por meio de canhões de água, o que impediu que o movimento chegasse ao centro da capital onde a manifestação teria, de fato, maior visibilidade. Denovo mostrou-se um claro exemplo da força do estado diante do descontentamento da população. Garantir a educação é um dever do próprio que não foi cumprido e ainda assim ele pode reprimir aqueles que exigem, simplesmente, os direitos constitucionais de um cidadão.

Esses exemplos dão um panorama da complexa relação que existe entre governo e governados. O sistema político vigente nos países citados carece de estabilidade e pior, confiabilidade por uma parte de seus respectivos subordinados, devido à série de escândalos, desmandos e gritantes diferenças sociais. O estado precisa ser soberano e teoricamente a ferramenta que capacita os indivíduos a levarem um vida digna a partir dos aparatos oferecidos pelo mesmo. Infelizmente, é uma questão que ocorre estreitamente na área da suposição e da teoria. A soberania dos governantes perante os governados ultrapassa limites que devem existir para que o povo tenha voz na atmosfera de um pais considerado livre – o que é o caso tanto do Brasil, quanto do Chile. Para a aprovação de alguns, sempre acontecerá a reprovação de outros. O estado tem a tarefa de agradar a população como um todo, porém, sem perder o seu legitimo poder que faz dele a figura mais poderosa de uma nação. Deste modo, muitas vezes quando o mesmo dispõe da voz, o povo é quem permanece calado.
CAMILA FERNANDES - RA00100472
ResponderExcluirMeninas, amei o texto. Vocês explicaram de uma forma transparente o que a sociedade vive. O governo utiliza mãos de ferro para governar, e isso causa o descontentamento de muitos, que buscam legitimar essa tal liberdade que só existe em teoria... Logo, resta-nos a vida nua, somos donos do nosso corpo, porém, estamos acorrentados a uma força maior, uma força autoritária e despótica que pode utilizar meios que forem (gás lacrimogênio, cacetetes, sprays de pimentas, armas de fogo...) para firmarem sua vontade "divina". Com a discussão de ontem na classe, eu pensava que a Internet era o único meio em que somos totalmente livres, me enganei. A internet, assim como o governo, é uma ferramenta controladora, existem os detentores desse poder supremo e, com qualquer descontentamento por parte da sociedade que se expressa, quem comanda a Internet também pode controlar comentários, pensamentos, debates... A questão é: somos fantoches, e, até hoje, não encontramos a escapatória para usufruir da liberdade que merecemos.
Povo/massa/multidão, estado-nação - em crise? -, liberdade x igualdade; tudo isso perpassa o texto de vocês, que, enquanto jornalistas, trazem reflexões de fundo para o cotidiano, o dia-a-dia.
ResponderExcluirSão questões fundamentais, seja pelo fato de que passamos por momentos de crise e, por conseguinte, de transformações, seja por que não temos, enquanto seres sociais, respostas imediatas e mundiais, que contemplem localidades e globalidades. Instala-se, sem duvida, crise de projeto, de perspectiva social.
Será que está realmente em crise o Estado que ainda consegue expressar claramente seu poder de coerção e de soberania nas manifestações, nas periferias? Será que está realmente ausente o povo, em meio a multidão amorfa, num momento de levantes, revoltas e revoluções por todo o mundo, nas quais a identidade e o re-conhecimento são essenciais?
Muitas perguntas, que alimentam bons textos e reflexões, e que incitam a busca por saídas e respostas coletivas e globais.
Roberto de Oliveira, ra00095380
O Estado utiliza formas para conter as manifestações populares que muitas vezes contrariam os princípios de liberdade que os cidadãos acreditam usufruir. Esta liberdade é limitada e quando as ações governamentais interferem neste princípio dificilmente existe a desaprovação por parte da grande maioria. O Estado e a mídia manipulam as informações e deixa evidente para o público que a interferência do Estado via militar foi indispensável e competente, como no caso da invasão da reitoria da Usp. O que ficou claro para o público era que os alunos maconheiros da Usp não queriam a polícia no campus para poderem consumir drogas sem interferência. Os reais motivos foram não foram abordados pela mídia e os atos de agressão dos policiais aos alunos não causaram nenhuma manifestação da grande massa ou reprovação ao governo do Alckmin.
ResponderExcluirÉ uma pena que os indivíduos acreditem em todas as notícias que recebem e assumam a ideologia que existe por trás dela sem questionar.
Denise Pádua
RA00094969
Fernanda Grandino (RA00095451)
ResponderExcluirVemos que o velho Maquiavel continua popular no circulo de leitura que inspira o modus operandi dos governos contemporâneos. É melhor ser temido do que amado, e assim, na base do medo, da imposição, da violência a direitos básicos, vai se constituindo o Estado superior, o respeito às normas, e por fim, a pacificidade e o conformismo.
"É assim que é, e assim que deve ser" é uma frase que costumávamos ouvir de pessoas oriundas de gerações anteriores à nossa, mas ultimamente, tem sido repetida à exaustão por colegas de idade. O episódio com a ocupação da reitoria da USP foi um exemplo claro da conjuntura de juventude apolitizada com que convivemos. Falta informação, tanto para o lado dos manifestantes quanto para os que são contra a manifestação. O fato é que o Estado, e contou com forte apoio midiático para isso, construiu um discurso sobre o acontecimento que visava desarticular o movimento, e esvaziar suas reivindicações.
E é assim que todos os cernes de poder agem frente a insurgências. Convencendo os incertos de que os manifestantes são arruaceiros que querem subverter a ordem, que mantém a vida andando, a uma total e completa anarquia onde nada será respeitado, muito menos a propriedade, a família ou deus.
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ResponderExcluirInfelizmente sou obrigada a concordar com cada traço do texto de vocês.
ResponderExcluirAlém de coeso e atual, os questionamentos sobre a autoridade que se transmuta em autoritarismo são, como dito por Roberto, questões que dizem respeito não só á um panorama político, mas ao nosso dia-a-dia.
À soberania de um governo, por mais que este se diga democrático, nunca é permitida a oposição.
O governo utiliza-se de ferramentas, como a opressão física, para manter a política e os ideais aonde eles acreditam que estes devem estar, ou seja, ao lado dos interesses de quem rege a nação.
Um trecho do texto de Hardt e Negri me ocorre neste contexto, "Este princípio no qual só o uno pode governar solapa e nega o conceito de democracia.Neste sentido, a democracia, assim como a aristocracia, é apenas uma fachada, pois na realidade o poder é monárquico."
Por fim, a pergunta que o texto me afere é: Por quanto tempo nos iremos calar?.